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Entidades apontam perdas na agropecuária de São José do Inhacorá em função da estiagem
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Entidades apontam perdas na agropecuária de São José do Inhacorá em função da estiagem
Assunto: Agricultura | Publicado em: 08/04/2026 às 15:06 | Imprimir
A estiagem que atingiu o município de São José do Inhacorá provocou impactos expressivos na agropecuária local, com prejuízos econômicos, sociais e ambientais em toda a extensão territorial.
A situação foi documentada em laudo circunstanciado elaborado pela Defesa Civil Municipal, em parceria com a Emater/RS-Ascar, e validado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Conselho Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio e Secretaria Municipal do Agronegócio e Meio Ambiente.
O documento, finalizado no dia 6 de abril, reúne informações obtidas por meio de vistorias a campo, análise de dados de sistemas e documentos oficiais da Emater/RS-Ascar, além da ratificação das entidades envolvidas. A partir desse levantamento, o município deverá encaminhar decreto de situação de emergência.
Com um sistema produtivo baseado principalmente nas culturas de soja, milho e na bovinocultura de leite, a estiagem também representa impactos em diferentes segmentos do município. Atualmente, São José do Inhacorá cultiva cerca de 2.400 hectares de soja, 750 hectares de milho grão e 1.300 hectares de milho silagem, todos com prejuízos registrados pela escassez hídrica.
Além disso, a produção leiteira, presente em 80 propriedades, também sofre com queda na produtividade e aumento dos custos de produção.
A cultura da soja concentra os maiores prejuízos. A estimativa aponta uma redução de 45% na produtividade em relação à projeção inicial, o que representa cerca de 60 mil sacas que deixam de ser produzidas, gerando um impacto econômico de aproximadamente R$ 7,14 milhões. As perdas tendem a se intensificar caso a estiagem persista.
Na bovinocultura de leite, a redução média na produção é de 10% ao longo do ano, reflexo tanto da falta de pastagens quanto do estresse térmico dos animais. Estima-se que 1,3 milhão de litros de leite deixaram de ser produzidos, o que corresponde a um prejuízo de cerca de R$ 2,6 milhões. A situação é agravada pelo baixo preço pago ao produtor e pelo aumento dos custos de produção. Mesmo com eventual normalização do clima, a recuperação da produção pode levar entre 60 e 90 dias.
Já na cultura do milho grão, as perdas são estimadas em 10% da produtividade, representando cerca de 11.250 sacas a menos e um prejuízo aproximado de R$ 641 mil.
Outras atividades também são impactadas. A fruticultura, horticultura e produções de subsistência apresentam queda na produtividade, redução da qualidade dos alimentos e dificuldades no plantio de novas culturas, o que interfere na segurança e soberania alimentar das famílias.
Os efeitos da estiagem podem ser observados ainda na disponibilidade de recursos hídricos. Açudes e reservatórios apresentam níveis abaixo da capacidade, fontes superficiais estão secando e há sobrecarga nos poços artesianos, alguns já insuficientes para atender à demanda.
Diante deste cenário, o município intensifica ações como abertura de bebedouros e transporte de água para as propriedades. O desequilíbrio ambiental também é percebido com casos de mortandade de peixes.
Em relação ao solo, a baixa capacidade de retenção de água contribui para a intensificação dos efeitos da estiagem.
Perante o contexto, o município mobiliza esforços para minimizar os impactos e busca, por meio do decreto de emergência, viabilizar medidas de apoio aos produtores e à população afetada.
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